Política de cotas pode ser ampliada para pós-graduações



     

Com mais estudantes ingressando em universidades pelo sistema de cotas, há um desejo de dar prosseguimento aos estudos, mas existe, ainda, um processo excludente nos níveis de pós-graduação.

A política de cotas, que sempre levanta muita polêmica no país, agora tem a proposta de ser ampliada também para as pós-graduações.

Desde a promulgação da lei 12.711/2012 que estabelece cotas raciais, para negros e indígenas e sociais, para estudantes oriundos de escolas públicas, a discussão em torno do tema tem crescido e a necessidade de inclusão desses estudantes tem sido respeitada e cumprida.

Seja por falta de base escolar, ou por diferenças históricas, a verdade é que ainda há um abismo social que dificulta a entrada desses estudantes aos níveis superiores de ensino.

Ao longo dos anos de vigência da política de cotas, o bom desempenho dos estudantes, só tem aumentado a força do movimento, que agora depara-se com uma nova realidade: temos uma geração de estudantes que ingressaram nas universidades pelo sistema de  cotas e que desejam dar prosseguimento aos estudos, mas que ainda esbarram em um processo excludente nos níveis de pós-graduação.





O projeto de pesquisa desenvolvido deve se adaptar à linha de pesquisa do orientador, então os estudantes que desejarem escrever sobre assuntos étnico-raciais ainda têm pouco espaço no meio acadêmico.

E essa é a preocupação da Seppir, secretaria que se preocupa com o aumento de pesquisas relacionadas à área também nos cursos de pós-graduação. Para eles é necessário não só abordar mais vezes esses temas, mas também a contratação de mais professores negros para as instituições de pó- graduação. Segundo a secretaria, os processos para a contratação de professores para essas áreas não estão de acordo com a lei de cotas, que só pode ser aplicada nos concursos em que a oferta mínima  for de 3 vagas.  Como a seleção para professores para os cursos de pós-graduação geralmente apresenta 1 ou 2 vagas, a presença de professores negros ainda é muito reduzida.

Sem negros como professores e sem linhas de pesquisa relacionada aos assuntos étnicos,  alguns alunos se veem desestimulados de entrar em processos seletivos, fazendo com que o número de alunos negros na pós-graduação seja também reduzido.

Uma política de inclusão, em todas as esferas acadêmicas, incluindo a pós-graduação, fará com que mais pesquisadores relacionados à área sejam formados, e o assunto seja discutido mais vezes, com adoção de mais políticas de ações afirmativas. Estaríamos então, caminhando para um possível cenário de igualdade, em que no futuro, as cotas até mesmo não seriam mais necessárias. 

Por Patrícia Generoso



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